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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Guitarra desafinada e coração partido

Untuned Guitar and the Broken Heart foi a última música da série "First Date Songs" que eu fiz, desprezando todas as minhas técnicas de composição: a escrevi em 20 minutos, com o violão no colo e o famigerado caderninho laranja em cima da cama. É claro que ela não está exatamente igual ao que está escrito, pois adaptei alguns pedaços para soar melhor, mas grande parte - e arrisco dizer, uns 95% - dela é o que vocês estão ouvindo.

Realmente, 2009 foi um dos piores anos da minha vida. Porém, sem ele, não haveria Folkelicious. 

Essa versão foi gravada às pressas no Piccoli Studio (bateria) e Clube da Música (voz, violão, baixo e guitarras) para a seletiva de um festival. Ainda não temos a resposta dos organizadores, mas já obtemos um feedback muito legal das pessoas que ouviram a Untuned "tunada".
Confesso que senti muito orgulho quando o técnico (que, diga-se de passagem, não é bem o tipo de cara que ouviria os Folkelicious) batucava no próprio corpo enquanto ouvia a bateria junto com a guia de voz e violão e, depois que a música parou, proferiu as seguintes palavras: "puta som!".
Aquelas duas palavrinhas me encheram de orgulho. A satisfação de saber que alguém gostou daquela música que eu lapidei e escrevi com carinho só me dá mais vontade ainda de seguir com o projeto.
Não, essa não é a versão final do CD. Ainda temos que gravar os backing vocals e dar uma masterizada com calma.
Enquanto isso, ouve lá no Myspace :)


Em breve, teremos novidades melhores ainda!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quem gosta de maçã?

1998 foi um ano chave na minha vida musical. Comecei a aprender violão por conta própria, com revistinhas de cifras com aqueles carimbinhos que estampavam o nome dos acordes e a posição no braço. Me lembro que a primeira música que aprendi foi "Festa de Rodeio" e eu obrigava todo mundo a cantar comigo. Nessa época, eu tinha apenas pequenas noções de afinação, mas não tinha vergonha nenhuma de mostrar o meu "talento".
Foi nesse ano que ouvi pela primeira vez uma cantora que, desde então, serviu de trilha sonora para a minha vida: Fiona Apple.

A MTV tinha um programa que mostrava os 10 clipes mais votados na programação americana. Eu não costumava assisti-lo, pois nessa época eu pouco me importava com hip hop e r&b, estilos extremamente difundidos naquela - e, porque não atualmente também - na TV americana.

Eis que no meio de tudo isso, Chris Nicklas (se eu não me engano) anuncia: "a próxima posição é ocupada pela cantora Fiona Apple, com Criminal". Depois da vinhetinha azul, vermelha e branca, a imagem sai de um fade in e entra uma sala escura, meio bagunçada e uma moça magrela de olhos azuis enormes jogada pelo chão com cara de sono.
O arranjo do baixo era extremamente pesado e sensual, assim como a música. Quando a mulher abriu a boca para cantar, eu me apaixonei. Era uma voz forte, que contrastava com aquele corpo de aparência frágil e intocável. Ela falava de amor com um tom de sofreguidão, ódio e arrependimento. Era hipnotizante.

Quis conhecer melhor aquele CD que ela havia acabado de lançar. Na época era quase impossível de baixar músicas em menos de meia hora. A conexão era discada e era muito caro usar a internet durante o dia. Além disso, se alguém telefonasse na minha casa, a conexão caía na hora.

Juntei meu dinheirinho da mesada e comprei um CD, o qual me servia para matar a saudade da cantora, já que, depois de um tempo na programação da MTV Brasil, ela simplesmente sumiu.

Dois anos depois, já com banda larga, tive acesso aos videoclipes que ela havia gravado. Foram todos baixados pelo Kazaa a ferro e fogo, com alguns vírus de brinde.

Doze anos depois, Fiona Apple ainda é a principal artista da minha playlist (é só checar meu LastFM). Quando a ouço cantar, tenho vontade de encostar no seu ombro e dizer "putz, eu te entendo, viu?".
Na minha opinião, a Fiona é a Janis Joplin da minha geração, porém sem o devido reconhecimento e notoriedade.

Quando será que ela vai lançar outro CD?

No vídeo abaixo, uma versão ao vivo de Criminal, do disco Tidal.