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sábado, 8 de janeiro de 2011

"O que significa essa tatuagem?"

Se você tem uma tatuagem no mínimo diferente das que encontramos hoje em dia, já deve ter ouvido milhões de vezes: "o que significa?", "doeu?", "você não tem medo de enjoar?", "e quando você for mais velha?" e, consequentemente, já deve ter ficado muito irritado.

Muitas vezes tenho vontade de dar uma resposta atravessada e deixar por isso mesmo, mas entendo que muitos desses que me abordam não têm nenhum contato com esse meio de body arts.

A realidade é que, pelo menos para mim, não há necessidade de haver um significado específico para cada tatuagem que eu faço. Acho que o valor de cada uma vai muito mais além do que um pretexto superficial.

Ao todo tenho quatro desenhos:

Clave de sol, a primeira que fiz e achei que tinha doído muito

F holes de violoncelo, violino, ou o que você preferir. Essa acabou com meu trauma de tatuagem. Quando dizem que fazer a costela dói, é porque realmente é ruim. Me lembro que na hora de preencher o lado direito, já com o lado esquerdo pronto, eu já estava pensando em desistir, mas resisti bravamente (afinal, mais cedo ou mais tarde, eu teria que terminá-la)

"Szívem". A única com um significado explicável. Retirado do meu livro favorito - Budapeste, de Chico Buarque - , significa "meu coração" em húngaro.

Gaiola com um "blackbird" e rosas. Inspirada na música dos Beatles (eu disse só inspirada!)

Cada uma delas faz parte de mim. Toda vez que coloco algum desenho no meu corpo, me sinto mais completa e ganho mais confiança.
Contudo, é claro que não coloco qualquer coisa na minha pele. Primeiro penso em elementos que eu gosto, nas cores, nas possibilidades de arte e se elas combinam com o resto das minhas tatuagens.
Gosto de harmonia entre os desenhos. Eu não teria, por exemplo, uma flor de lótus (que adoro), pois ela tiraria o equilíbrio das minhas artes. Penso muito na beleza do meu corpo como um todo.
O processo de passar, de fato, o desenho na pele é longo. Demoro meses, ou até um ano inteiro, para me decidir. Gosto de ter certeza de que aquele é realmente o lugar para aquela tatuagem.
A minha gaiola, por exemplo, demorou um ano para ser tatuada e hoje eu não poderia estar mais feliz.

Pois então, respondo as perguntas para nunca mais serem feitas a mim:

"O que significa?"

Não significam. Todos os desenhos possuem elementos musicais,que me completam, afinal, sou musicista e gosto de me expressar através da arte. Então, descubra você mesmo

"Dói?"

São pelo menos três agulhas furando a sua pele. Think about it.

"Você não tem medo de enjoar?"

Se tivesse, não faria.

"E quando você for mais velha?"

Serei uma velha tatuada e meus netos me acharão o máximo :)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

E o diagnóstico final é...

... AMIGDALITE!

A boa notícia é que está bem no comecinho, então vou sarar rápido. A má notícia é que não vou ensaiar nesse final de semana.

Eis que cheguei ao consultório - após me perder - e, ao fazer o cadastro, a moça perguntou minha profissão. "Editora de áudio". Rolou aquele estranhamento, é claro. Ela obviamente não sabia o que uma editora fazia, mas tanto faz.

Sentei no sofá e fiquei lendo meu livro sobre moda do Século XX. Após um capítulo inteiro, já comecei a ficar incomodada com a gordona sentada ao meu lado e que não parava de tossir. Mais um tempo se passou e eu fui ficando entediada. Aquele ar-condicionado estava acabando com o resto de saúde que minha gargantinha tinha.
Ao meu lado esquerdo, um velho dormia e roncava. Pensei em calcular o compasso dos roncos, pois eram ritmados, mas ele acabou acordando antes que eu pudesse criar um padrão.

Usei o celular para logar no twitter e no facebook. Nem preciso dizer que gastei uma grana preta a toa, não é?

Quando eu estava quase me jogando pela janela de tanto tédio, meu nome foi chamado. "Mariana? Sala 4!". Aquele lugar parecia clínica de estética de Los Angeles. Muita sofisticação para nada, na real. Após passar um jardim de inverno enorme, entrei na quarta sala e dei de cara com uma mulher com cara de quarta-feira, sabe? Aquela cara de "a semana tá demorando demais para passar e ainda falta muito para sexta-feira". Pois bem, junte isso com um quê de menopausa e pronto!
Expliquei o que se passava comigo e ela me examinou. Ficou meia hora com o palitinho dentro da minha boca, apertando a minha língua, enquanto eu saliva feito um cachorro boxer e sentia minhas amígdalas serem esmagadas.
Por fim, ela disse que eu estava com amigdalite e deveria repousar o máximo possível. Além disso, preciso tomar antibiótico por 10 dias.

Era tudo o que eu queria! :(

Só poderei ensaiar no próximo fim de semana. Cerveja nesse sábado? Nem pensar.
Oh, vida!

Terror musical: infecções na garganta

Há exatamente um dia acordei com uma forte dor de garganta, mas não liguei, pois na noite anterior havia saído, bebido e voltado bem tarde e achei que fosse algum castigo divino. Talvez até seja, já que o castigo tá ficando longo demais!

Durante a tarde de ontem editei alguns áudios de locução - que por sinal, era a minha própria voz falando um inglês texano sem vergonha para um vídeo institucional - e depois editei algumas trilhas para vídeos. Fui almoçar uma deliciosa marmita requentada, dei risada com os amigos e voltei para a minha sala. Aí, minha garganta piorou. Falei com a amiga que saiu comigo naquele dia e ela achou que pudesse ser o ar-condicionado ou porque falamos alto a noite toda. Acatei a hipótese até meu corpo começar a doer. Sim, doer, mas não uma dor de pontadas ou muscular. Parecia a dor da minha alma saindo do meu corpo. SÉRIO! Só consegui explicar esse incômodo assim.

Indo pela lógica de querer sair do corpo, pensei que fosse TPM, afinal, essa é a desculpa universal para os problemas femininos. Ainda assim, meu corpo e minha garganta doíam muito.
Enquanto dirigia para casa, comecei a sentir calafrios. Não, não era frio, era febre, mas eu não queria acreditar naquilo, já que nem doente eu estava.

Cheguei em casa, morrendo de fome, e fui comer um sanduichinho que meu pai havia deixado pronto para mim. Na primeira mordida a garganta gritou e, olha, doeu, viu? Fiz aquela cara de azedo e meu pai perguntou o que estava acontecendo. Descrevi os sintomas que eu sentia: dor de garganta, dores pelo corpo, dor de ouvido (que surgiu enquanto eu estava no carro), calafrios... E meu pai, que é médico legista, mas ainda assim é médico, perguntou a altura da dor e deu o diagnóstico temporário: faringite.

A primeira coisa que pensei: COMO VOU CANTAR? Eu juro, me deu desespero. Tenho um ensaio no final de semana e estou louca para cantar. Por outro lado, quero ficar bem quietinha, pois fui espiar o estado da minha garganta com uma lanterna, vi minhas amídalas super gordinhas e isso me deixou muito assustada.
Long story short: minha garganta dói, não posso falar muito e tampouco vou cantar nesse final de semana.
Oh, céus!

Mais tarde vou ao médico ter um diagnóstico mais preciso, pegar um atestado pro estúdio da ONG e receita para os remédios. Torçam pela minha gargantinha folk!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O irritante na música: unhas


Confesso que sou vaidosa. Ok, às vezes não parece, mas eu realmente sou (juro)! Gosto de arrumar os cabelos, cuidar da pele e fazer minhas unhas. Os homens não devem entender muito bem o poder que as unhas têm, mas eu explico: uma mão bem feita traz a sensação de maior feminilidade, sabe?

Pois é, o violão anda boicotando as minhas raízes femininas.

O processo de produção é extenso: primeiro, é preciso tirar o esmalte antigo com acetona, o que costuma detonar, já de cara, a resistência da unha. Depois, lixamos no formato que bem entendemos e passamos óleos e cremes para fortalecer as unhas e amolecer as cutículas. Quando elas já estão bem molinhas e foram submersas por alguns segundos em água morna, empurramos e cortamos com um alicate o excesso de pele, para que o esmalte não fique com "calombinhos" perto da divisão entre unha e dedo.

Então, vem o mais chato: passar o esmalte! É preciso ter muita destreza e paciência, pois o menor dos movimentos errados pode comprometer a sua arte. Certa vez, numa aula sobre cultura japonesa - não me pergunte o que eu fazia lá, pois eu mesma não sei - a professora disse que os kanjis clássicos, aquelas letrinhas japas feitas em tecido com pincel e tinta por japoneses de rabinho de cavalo e roupão de banho, só seriam estampados com perfeição se a pessoa estivesse em paz por dentro. Ou seja, se ela estiver nervosa, de saco cheio, cólica ou fome, a letra sairá tremida e o trabalho ficará uma bosta.

Fazer as unhas é mais ou menos isso. Se vem um infeliz e fica aporrinhando, toda a mão vai ficar feia e a mocinha, cujas unhas necessitam de cuidados especiais, ficará extremamente irritada.
Pois bem, se eu consigo passar por todo esse processo com sucesso, já é uma alegria extrema, não é?
Não.

Imagine que estou com as unhas feitas - geralmente, uso esmaltes vermelhos ou cor de rosa - e, então, vou ensaiar, pois toda quarta-feira tenho ensaio com os meninos. Duas horas de ensaio são o corredor da morte das unhas lindas e bem feitinhas. Todo o glitter, o cintilante, a unha bem lixada, a cor viva... tudo vai para o ralo!

Pior ainda é pensar que se eu estiver sem o esmalte, o estrago é maior, pois, com o artrito das cordas, minha unha será esculpida em formatos pós-modernos.

É aí que tenho que escolher entre a estética e o prazer de tocar com a minha estimada banda folk. É claro que eu sempre escolho tocar, porém, não nego que vez ou outra sinto meu coração apertar e minha veia preguiçosa bombear mais sangue ao pensar que terei todo aquele trabalho de confecção plástica sobre os dedos.

Ser mulher cansa, mas compensa (às vezes). Tenho sérios problemas quando vou a lojas de instrumentos, mas conto em outra oportunidade.

domingo, 24 de outubro de 2010

O irritante na música: palhetas

Eu, Mariana, na minha condição de cantora e violonista, tenho alguns dilemas que me irritam profundamente quando contestados de alguma forma.

Tenho 3 violões, uma guitarra e um ukulele. Não tenho o costume de usar palheta por causa da absurda inflação sobre instrumentos e acessórios musicais e, acima de tudo, por causa da minha cabeça oca que vive esquecendo as caríssimas palhetas de 3,50 por todo lugar.

Parece sovinice minha, mas não é. Imagine que já perdi cerca de 30 palhetas - ou mais - nessa minha estrada musical de quase 13 anos. São 105 reais jogados no lixo!

Com esse dinheiro eu consigo comprar:

  • 10 ingressos para o cinema ou;
  • 25 garrafas de Heineken ou;
  • 45 pacotes de bolacha Passatempo ou;
  • Uma escova progressiva no salão de beleza.
Deu para sentir o drama?

O mais irritante é que as palhetas perdidas nunca são encontradas. Algumas pessoas brincam, dizendo que é tudo uma travessura do famigerado "duende ladrão de palhetas". Eu prefiro pensar que é sem-vergonhice de algum músico safado que simplesmente passa a mão sem dó. Sabe aquela velha história, durante um ensaio, em que um fala pro outro "cara, tô sem palheta... tem como você me emprestar uma?". Aí, você, pessoa legal que é, entrega sua valiosa Jazz III vermelha, que some no bolso do carinha que prefere usar aquele pedaço de plástico mal cortado que acompanha os mais diversos jogos de cordas.

E quando elas escorregam da mão?
Pior do que uma corda quebrada - o que é outra história e vai ficar pra depois - é sentir que a palhetinha que você segurava enquanto tocava aquele riff empolgante, já não está entre seus dedos.
Ótimo! A partir daí, muita coisa pode acontecer:

  • Toca com a ponta da unha até ter uma oportunidade para abaixar e pegar a maldita (o que vai foder com a sua presença de palco)
  • Você vai perder sua palheta, afinal, palcos são ou 8 ou 80: se não são demasiadamente escuros e com péssima iluminação, são extremamente iluminados com refletores quentíssimos.
  • Algum idiota da platéia vai escorregar a mão pelo palco e roubá-la para exibir aos amigos, como se você fosse o maior rockstar do mundo.
Tenho o péssimo hábito de escolher as coisas não pela sua qualidade ou usabilidade, mas pela estética, e isso fode meu orçamento! É ridículo, mas eu adoro coisas fofas e cor de rosa, tais como Hello Kitty, Powerpuff Girls e desenhos da Hannah Barbera. Então, o vendedor, percebendo meu mau gosto e sensibilidade consumista, me mostra, como quem não quer nada, uma palhetinha rosa choque com estampa de Hello Kitty tocando uma guitarra com glitter.
O que eu faço? Eu compro, é claro. Ela não serve pra nada - nem para tocar - mas é mais um item lindo para minha coleção de fofuras.

(Eu sei, é vergonhoso, mas eu sou assim!)
     É por essas e outras que aboli as palhetas e deixei minhas unhas da mão direita crescerem. Contudo, isso também gerou efeitos colaterais (e estéticos) fortíssimos que eu contarei no próximo post.