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domingo, 9 de janeiro de 2011

No macio do travesseiro

Eu devo escrever pelo menos duas músicas por mês, mas muitas delas eu não chego nem a gravar a guia por vergonha ou acreditar que ela não seja boa o suficiente.

O que acontece é que eu gosto de deixar todas as minhas criações paradas até que eu me esqueça. Depois de algum tempo, eu retomo a composição e mudo as coisas que foram feitas "no calor do momento" e que soam como clichê, ou bregas demais. Nunca consegui sentar e escrever algo que achasse sensacional logo na primeira vez. Acho que a inspiração me deixa cafona e como eu falo muito de amor, esse é um risco que eu nunca gosto de correr.

Nunca começo pela letra, apesar de ter utilizado esse método por muito tempo. Na verdade, odeio criar letras, pois muitas vezes nem sei o que quero expressar. Normalmente, deito na cama com a guitarra e faço um brainstorm de acordes e arranjos. Enquando isso, murmuro alguns ritmos numa linguagem imaginária até que o verso venha na minha cabeça (em inglês, normalmente, é claro). Penso nas coisas que estão acontecendo comigo, que já passaram, que não aconteceram e que nunca vão acontecer. Pronto, nasce uma música.

Depois disso, é só usar meu aposentado gravador de jornalista para fazer as guias. Quando estou com paciência, faço tudo bonitinho no notebook, com mesa de som e tudo.

É claro que todo esse processo envolve uma série de fatores e pequenos paradigmas que eu aprendi e sigo para fazer uma boa música. No final, não sei se ficam boas, mas eu bem que tentei! 

Atualmente estou em processo de composição para o setlist do Folkelicious. Nossas músicas seguem aquela linha calminha da A Fine Frenzy e precisamos de sons mais agitados para nossos shows. É, estou tendo dificuldades...

sábado, 8 de janeiro de 2011

"O que significa essa tatuagem?"

Se você tem uma tatuagem no mínimo diferente das que encontramos hoje em dia, já deve ter ouvido milhões de vezes: "o que significa?", "doeu?", "você não tem medo de enjoar?", "e quando você for mais velha?" e, consequentemente, já deve ter ficado muito irritado.

Muitas vezes tenho vontade de dar uma resposta atravessada e deixar por isso mesmo, mas entendo que muitos desses que me abordam não têm nenhum contato com esse meio de body arts.

A realidade é que, pelo menos para mim, não há necessidade de haver um significado específico para cada tatuagem que eu faço. Acho que o valor de cada uma vai muito mais além do que um pretexto superficial.

Ao todo tenho quatro desenhos:

Clave de sol, a primeira que fiz e achei que tinha doído muito

F holes de violoncelo, violino, ou o que você preferir. Essa acabou com meu trauma de tatuagem. Quando dizem que fazer a costela dói, é porque realmente é ruim. Me lembro que na hora de preencher o lado direito, já com o lado esquerdo pronto, eu já estava pensando em desistir, mas resisti bravamente (afinal, mais cedo ou mais tarde, eu teria que terminá-la)

"Szívem". A única com um significado explicável. Retirado do meu livro favorito - Budapeste, de Chico Buarque - , significa "meu coração" em húngaro.

Gaiola com um "blackbird" e rosas. Inspirada na música dos Beatles (eu disse só inspirada!)

Cada uma delas faz parte de mim. Toda vez que coloco algum desenho no meu corpo, me sinto mais completa e ganho mais confiança.
Contudo, é claro que não coloco qualquer coisa na minha pele. Primeiro penso em elementos que eu gosto, nas cores, nas possibilidades de arte e se elas combinam com o resto das minhas tatuagens.
Gosto de harmonia entre os desenhos. Eu não teria, por exemplo, uma flor de lótus (que adoro), pois ela tiraria o equilíbrio das minhas artes. Penso muito na beleza do meu corpo como um todo.
O processo de passar, de fato, o desenho na pele é longo. Demoro meses, ou até um ano inteiro, para me decidir. Gosto de ter certeza de que aquele é realmente o lugar para aquela tatuagem.
A minha gaiola, por exemplo, demorou um ano para ser tatuada e hoje eu não poderia estar mais feliz.

Pois então, respondo as perguntas para nunca mais serem feitas a mim:

"O que significa?"

Não significam. Todos os desenhos possuem elementos musicais,que me completam, afinal, sou musicista e gosto de me expressar através da arte. Então, descubra você mesmo

"Dói?"

São pelo menos três agulhas furando a sua pele. Think about it.

"Você não tem medo de enjoar?"

Se tivesse, não faria.

"E quando você for mais velha?"

Serei uma velha tatuada e meus netos me acharão o máximo :)