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sábado, 20 de novembro de 2010

A banda que eu sempre quis ter


Quando eu tinha uns 14 anos, assisti ao filme "Hedwig and the Angry Inch" (aqui no Brasil chamado de Hedwig - Rock, Amor e Traição) e, pela primeira vez, tive certeza de que um dia eu teria uma banda. A trama, baseada no musical off-Broadway de mesmo nome, se dá acerca de Hansel, um alemão que se apaixona por um americano que lhe propõe que se mudem para os EUA. Porém, para que possam se casar, Hansel precisa realizar uma cirurgia de mudança de sexo, a qual não dá muito certo.
Já nos Estados Unidos, Hansel, agora chamado Hedwig, é abandonado pelo marido. Ao invés de deprimir-se, a loiríssima cantora resolve formar uma banda que contem suas aventuras e desventuras. É aí que um novo amante de Hedwig rouba suas canções e faz sucesso mundialmente.
A história gira em torno das tentativas de Hedwig de provar a autenticidade de suas canções e alcançar o tão desejado sucesso.

As canções desse filme são maravilhosas e a atuação de John Cameron Mitchell está impecavelmente maravilhosa! A trilha, tanto do filme como do musical, são de Stephen Trask, músico que já dividiu palco até com a Yoko Ono.

Essa cena que estou postando é a que mais me emociona.
Ah, aqui no Brasil está em cartaz uma versão desse musical. O elenco conta com Paulo Vilhena e a direção é do Evandro Mesquita. É uma pena que só esteja em cartaz no Rio de Janeiro, por enquanto.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Música para se definir

Nesse sábado meu irmão se casa e veio, junto com a noiva, me pedir umas dicas de músicas para a cerimônia. Até aí achei normal e indiquei alguns artistas. 
Então, Maria (a noiva) me perguntou: "Mas com qual música eu entro na igreja?". Confesso que fiquei muito um pouco espantada, já que - se fosse meu casamento - eu já teria um certo disco na ponta da agulha da minha vitrola (e não vou contar qual que é).

Fiquei imaginando como ela poderia pensar na própria vida sem trilha sonora. Eu sei, músicos costumam ser chatos com relação a isso, mas pense bem: deve ter pelo menos uma música nesse mundo com a qual você se identifique, não?

Quando vou tarabalhar, costumo colocar cds de acordo com meu humor. Quando estou na fossa ou triste com o namorado, ouço Fiona Apple. Quando estou saltitantemente feliz, ouço A fine frenzy. Para os momentos sérios, gosto de Chico Buarque.

Entretanto, se eu tivesse que apontar apenas uma música para me definir ao todo, certamente seria Suddenly I see, da cantora folk escocesa KT Tunstall. 
A combinação do baixo e do pianinho nessa música caíram como uma luva e, talvez, seriam minhas partes preferidas, se não fosse a letra ou a voz da KT. A real é que música é de 2005, mas me identifico com ela até hoje. Foi a partir dela que comecei a criar gosto pelo folk, indie e, por que não, pelo pop.

E você... qual música te define?



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quem gosta de maçã?

1998 foi um ano chave na minha vida musical. Comecei a aprender violão por conta própria, com revistinhas de cifras com aqueles carimbinhos que estampavam o nome dos acordes e a posição no braço. Me lembro que a primeira música que aprendi foi "Festa de Rodeio" e eu obrigava todo mundo a cantar comigo. Nessa época, eu tinha apenas pequenas noções de afinação, mas não tinha vergonha nenhuma de mostrar o meu "talento".
Foi nesse ano que ouvi pela primeira vez uma cantora que, desde então, serviu de trilha sonora para a minha vida: Fiona Apple.

A MTV tinha um programa que mostrava os 10 clipes mais votados na programação americana. Eu não costumava assisti-lo, pois nessa época eu pouco me importava com hip hop e r&b, estilos extremamente difundidos naquela - e, porque não atualmente também - na TV americana.

Eis que no meio de tudo isso, Chris Nicklas (se eu não me engano) anuncia: "a próxima posição é ocupada pela cantora Fiona Apple, com Criminal". Depois da vinhetinha azul, vermelha e branca, a imagem sai de um fade in e entra uma sala escura, meio bagunçada e uma moça magrela de olhos azuis enormes jogada pelo chão com cara de sono.
O arranjo do baixo era extremamente pesado e sensual, assim como a música. Quando a mulher abriu a boca para cantar, eu me apaixonei. Era uma voz forte, que contrastava com aquele corpo de aparência frágil e intocável. Ela falava de amor com um tom de sofreguidão, ódio e arrependimento. Era hipnotizante.

Quis conhecer melhor aquele CD que ela havia acabado de lançar. Na época era quase impossível de baixar músicas em menos de meia hora. A conexão era discada e era muito caro usar a internet durante o dia. Além disso, se alguém telefonasse na minha casa, a conexão caía na hora.

Juntei meu dinheirinho da mesada e comprei um CD, o qual me servia para matar a saudade da cantora, já que, depois de um tempo na programação da MTV Brasil, ela simplesmente sumiu.

Dois anos depois, já com banda larga, tive acesso aos videoclipes que ela havia gravado. Foram todos baixados pelo Kazaa a ferro e fogo, com alguns vírus de brinde.

Doze anos depois, Fiona Apple ainda é a principal artista da minha playlist (é só checar meu LastFM). Quando a ouço cantar, tenho vontade de encostar no seu ombro e dizer "putz, eu te entendo, viu?".
Na minha opinião, a Fiona é a Janis Joplin da minha geração, porém sem o devido reconhecimento e notoriedade.

Quando será que ela vai lançar outro CD?

No vídeo abaixo, uma versão ao vivo de Criminal, do disco Tidal.